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sábado, 24 de dezembro de 2011

Mitraísmo


Mitras







Aparece primeiramente como um deus-sol ariano em Sânscrito e na literatura persa por volta de 1400 a.C. Seu culto foi introduzido no império romano no primeiro século a.C.
Mitras foi: nascido de uma virgem no solstício de inverno --- freqüentemente 25 de dezembro no calendário Juliano (o imperador Aureliano declarou o dia 25 de dezembro como o nascimento oficial de Mitras em 270 d.C.) --- e assistido por pastores que trouxeram presentes; cultuado nos Domingos; mostrado com uma nuvem ou halo em volta da cabeça; diz-se ter feito uma última ceia com seus seguidores antes de retornar ao seu pai.; acreditava-se não ter morrido, mas ascendido aos céus, de modo que se acreditava que poderia retornar no fim dos tempos para levantar os mortos em uma ressurreição física para o Julgamento Final, mandando os bons para o Céu e os maus para o Inferno, depois do mundo ter sido destruído pelo fogo; acreditava-se garantir vida imortal depois do batismo. Seguidores de Mitra: seguiam um líder chamado papa, que governava da colina do Vaticano em Roma; celebravam a morte de um salvador que ressuscitou num domingo; celebravam sacramento (uma refeição consagrada de pão e vinho), iam a Myazda (exato correspondente da missa católica, usando sinos, candelabros, incenso e água sagrada, em memória da última ceia de Mitras). O imperador Constantino foi um seguidor de Mitras até declarar o dia 25 de Dezembro como a data oficial do nascimento de Jesus em 313 d.C. e adotar o culto do cristianismo como a religião do Estado.
Bibliografia básica para o estudo do Mitraísmo: Franz Cumont, The Mysteries of Mithra (1903), M. J. Vermaseren, Mithras, the Secret God (1963), David Ulansey, The Origins of the Mithraic Mysteries (1989).


Mistérios de Mitras


Mitras é um deus Indo-Ariano, adorado pelo menos tão cedo quanto em 1400 a.C..
No hinduísmo ele é conhecido como o binomial Mitra-Varuna. Um hino inteiro é dedicado à ele no Rig Veda (3.59). Ele é o Senhor da Luz Divina, protetor da verdade e é invocado quando um contrato ou augúrio é feito.
Na Pérsia (hoje Irã) Mitras era o deus protetor da sociedade tribal, até a reforma do politeísmo persa por Zoroastro (628-55 d.C.).
 Mitras, como os outros deuses e deusas do panteão iraniano, foi despojado de sua soberania e todos os seus poderes e atributos foram atribuídos a Ahura-Mazda. Entretanto, devido à sua popularidade, nós vemos no Avesta (Mehr Yasht) Ahura-Mazda dizendo à Zoroastro: "Em verdade, quando criei Mitras, o Senhor das grandes pastagens, Eu o criei tão digno de sacrifício, tão digno de oração, quanto eu mesmo, Ahura-Mazda."
No Avesta, Mitras ou Mehr (tradução: amor, sol) é o protetor da nação Ariana, trazendo vitória para "aqueles que não mentem junto a Mitras". Ele é a divindade guerreira, de quem todos os demônios fogem em pânico. No Yashet 6, durante uma prece ao sol, Mitras é mencionado novamente como um amigo: "...eu sacrificarei para a amizade, a melhor de todas as amizades, que habita entre a lua e o sol".








O nascimento de Mitras

Mitras também figura na mitologia chinesa, onde é conhecido como "Amigo". Mitras é representado como um general militar em estátuas chinesas e é considerado como um amigo do homem nesta vida e protetor contra o mal na outra.
No ocidente, Mitras é mais bem conhecido como o "culto de Mitras", o qual possuía uma imensa popularidade junto às Legiões Romanas, do final do século 1 até o século 4d.C, tempo em que esteve sob influência das mitologias grega e romana, como outras tradições de mistério daquela época: os mistérios de Elêusis e de Ísis.
O culto de Mitras mantinha-se em segredo e seus ensinamentos eram revelados apenas aos iniciados. Remanescentes de templos de Mitras podem ser encontrados por toda a antiga região do Império Romano, da Palestina através do norte da África, e através da Europa central ao norte da Inglaterra.



Os Ritos de Mitras


Havia sete estágios de iniciação, os quais permitiam o iniciado a proceder através dos setes corpos celestiais. Permitindo o reverso, de que a alma humana descesse para o mundo no nascimento.








corax


O primeiro estágio era o Corax (Corvo) sob Mercúrio. Este estágio simbolizava a morte do iniciado. Na Pérsia antiga era costume expor corpos sem vida para serem devorados por corvos no alto de torres funerais. O corvo como símbolo da morte, pode também ser visto no tarô em cartas de número 13. Neste estágio, o iniciado morre e renasce num caminho espiritual. Um mantra era dado à ele, para que repetisse enquanto seus pecados eram lavados pela água do batismo.





O próximo passo é o Nymphus (noiva-homem) sob Vênus. O iniciado usa um véu e carrega uma lâmpada em sua mão. Ele não pode ver a "luz da verdade", até que o "véu da realidade" é removido. Ele é levado ao culto, e se torna celibatário por pelo menos a duração deste estágio. Ele é uma noiva (amante) de Mitras. Ele também oferece um copo dágua para a estátua de Mitras. O copo representa seu coração e a água seu amor.
Chegando a Miles (soldado) sob Marte, o iniciado tinha de se ajoelhar (submissão à autoridade religiosa), nu (renunciando à vida que passou), vendado e de mãos atadas. Então lhe era oferecida uma coroa na ponta de uma espada.



Moeda de Mitra


Uma vez coroado, suas ataduras eram removidas com uma única estocada da espada e a venda removida. Isto representava sua libertação das ninharias do mundo material. Ele deveria então remover a coroa da cabeça e coloca-la sobre o ombro, dizendo: "Mitras é minha única coroa". (Franz Cumont, The Mysteries of Mithra). Isto também simbolizava a remoção da cabeça (intelecto) em si, permitindo a Mitras ser o único guia.
Neste estágio, o iniciado começa realmente a batalha contra seu "eu" inferior, o soldado combatendo o verdadeiro inimigo.








leo

O estágio de Leo (Leão), é o primeiro dos graus sênior e está sob Júpiter. Ele está entrando no elemento do fogo. Assim, os leões não eram permitidos tocar em água durante o ritual, e em substituição, mel era oferecido ao iniciado para lavar suas mãos e língua. Os leões carregavam a comida para a refeição ritual, que era preparada pelos de grau inferior. As obrigações do leão incluíam atender ao altar da chama sagrada. Este ritual representava a última ceia de Mitras, de pão e vinho, com seus companheiros, antes de sua ascensão aos Céus em sua carruagem do Sol.
O grau de Perses (Persa) sob a Lua. "O iniciado deste grau recebia uma filiação a esta raça, a qual sozinha era digna de receber as mais altas revelações de sabedoria dos Magi". (Franz Cumont, Rapport sur une mission a Rome, In Academic des inscrition et Belle-Letters, Comptes Rendes, 1945 p.428). O emblema para este estágio era a harpa, com a qual Perseu havia decapitado a Górgona. Simbolizando a destruição do baixo e animal aspecto do iniciado. O iniciado era também purificado com mel, estando sob a proteção da Lua. "Mel é associado à pureza e fertilidade da Lua, sendo esta, a que os antigos iranianos acreditavam ser a fonte do mel. E assim a expressão lua-de-mel denota não o período de um mês depois do casamento, mas sim a continuidade do amor e fertilidade na vida de casado". (Dr. Masoud Homayouri, Origin of Persian Gnosis).







pater

No grau de Heliodromus (caminhante do sol) sob o Sol, o iniciado imita o mesmo num banquete ritual. Sentando próximo a Mitras (Pai), vestido de vermelho, cor do Sol, fogo e sangue.
O maior grau de iniciação era o de Pater (Pai) sob Saturno. Ele era o representante de Mitras na Terra, luz do Céu encarnada, o professor da congregação a qual liderava, usando um chapéu vermelho bem como um "par de calças persas vermelhas, carregando um cetro, símbolo de sua oficialidade espiritual". (Charles Daniels, Mithras and his Temples on the Wall).





Mitras também presidia a mudança de estações e o movimento do Céu em si. A imagem de Mitras sacrificando um touro representa, "a precessão dos equinócios; Mitras estava na verdade, movendo o universo inteiro". (Prof. David Ulansey, The Origins of Mithraic Mysteries). Mitras, representado pela constelação de Perseu, muda a posição de toda a esfera celestial, sacrificando a constelação de Touro e movendo a Terra na constelação de Áries no equinócio da primavera. Este "milagre" de Mitras é produto dos astrólogos romanos e de um posterior desenvolvimento que não é visto no Irã ao mesmo tempo. Entretanto a celebração da mudança de estações era levada à cabo por ambos os seguidores do Oriente e Ocidente: Nou-roz (equinócio da primavera), Mehregan (equinócio de outono), Shab-Yalda (solstício de inverno) e solstício de verão.








Templo de Mitra
Conforme o Cristianismo tomava impulso e eventualmente tornava-se a religião do Estado no Império Romano, o Mitraísmo deixou de ser tolerado. O Apologista o via como uma "transversão satânica dos mais sagrados rituais de sua religião" (Franz Cumont, The Mysteries of Mithra). Entretanto, o Catolicismo preservou algumas formas do Mitraísmo, para mencionar exemplos: o dia do Natal; o uso da "mitra" pelos bispos; sacerdotes cristãos chamados de "Padres" (Pais), apesar da proscrição específica de Jesus quanto a aceitação de semelhante título (Mateus 23:9); e "o Pai Santo de Mitras usava um chapéu vermelho e vestimenta e um anel, e carregava um bastão de pastor. O Líder Cristão, adotou o mesmo título e vestia-se da mesma maneira". (William Harwood, Mythologies Last Gods: Yahweh and Jesus). Enquanto a aparência exterior do Mitraísmo pode ser vista no Catolicismo, alguns traços dos ensinamentos interiores do Mitraísmo podem ser encontrados no Sufismo. Assim, um estudo do Sufismo lança nova luz sobre o Mitraísmo e vice-versa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Sete Pecados Capitais



Autor Desconhecido. Fonte: www.sca.org.br

Certo dia um casal ao chegar do trabalho encontrou algumas pessoas dentro de sua casa. Achando que eram ladrões ficaram assustados, mas um  homem forte e saudável, com corpo de halterofilista disse:
- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda parte do mundo.
- Mas quem são vocês? - pergunta a mulher.
- Eu sou a Preguiça! - responde o homem másculo - Estamos aqui para que vocês escolham um de nós para sair definitivamente da vida de vocês.
- Como pode você ser a preguiça se tem um corpo de atleta que vive malhando e praticando esportes? - indagou a mulher.
- A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos, com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.
Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa diz:
- Eu, meus filhos, sou a Luxúria.
- Não é possível! - diz o homem - Você não pode atrair ninguém com essa feiúra.
- Não há feiúra para a luxúria queridos. Sou velha porque existo a muito tempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos até a morte. Sou astuta e posso me disfarçar na mais bela mulher.
Um mau cheiroso homem, vestindo uns maltrapilhos de roupas, que mais parecia um mendigo diz:
- Eu sou a cobiça, por mim muitos já mataram, por mim muitos abandonaram famílias e pátria, sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para existir. Tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem vestido que me apresente, por mais rico que seja sempre vou querer o que não me pertence.
- E eu, sou a Gula.- diz uma lindíssima mulher com um corpo escultural e cintura finíssima, seus contornos eram perfeitos e tudo no corpo dela tinha harmonia de forma e movimentos.
Assustam-se os donos da casa, e a mulher diz:
- Sempre imaginei que a gula seria gorda.
- Isso é o que vocês pensam! - responde ela. - Sou bela e atraente porque se assim não fosse seria muito fácil livrarem-se de mim. Minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, quem tem a mim não se apercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar a busca da luxúria.
Sentado em uma cadeira num canto da casa, um senhor, também velho, mas com o semblante bastante sereno, com voz doce e movimentos suaves, diz:
- Eu sou a Ira. Alguns me conhecem como cólera. Tenho muitos milênios também. Não sou homem, nem mulher assim como meus companheiros que estão aqui.
- Ira? Parece mais o vovô que todos gostariam de ter! - diz a dona da casa.
- E a grande maioria me tem! - responde o vovô. - Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo e sereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar aparentemente manso. Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem me manifestar provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.
- Eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde sua aparição. - diz uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa.
- Como inveja? Se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja. –diz a mulher da casa.
- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos, a inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. Felicidade depende de amor, e isso é o que mais carece na humanidade. Mortes e sofrimento, onde eu estou esta também a Tristeza.
Enquanto os invasores se explicavam, um garoto que aparentava cerca de cinco a seis anos brincava pela casa. Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças, sua face de delicados traços mostravam a plenitude da jovialidade, olhos vívidos.
- E você garoto, o que faz junto a esses que parecem ser a personificação do mal?
O garoto responde com um sorriso largo e olhar profundo:
- Eu sou o Orgulho.
- Orgulho? Mas você é apenas uma criança? Tão inocente como todas as outras.
O semblante do garoto tomou um ar de seriedade que assusta o casal, e ele então disse:
- O orgulho é como uma criança mesmo, mostra-se inocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutível quanto todos aqui, quer brincar comigo?
A Preguiça interrompe a conversa e diz:
- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas.
Queremos uma resposta.
O homem da casa responde:
- Por favor, dêem dez minutos para que possamos pensar.
O casal se dirige para seu quarto e lá fazem várias considerações.
Dez minutos depois retornam.
- E então? - pergunta a Gula.
- Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas.
O garoto olha com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali. Porém, respeitando a decisão dirige-se para a saída. Os outros, em silêncio, iam acompanhado o garoto quando homem da casa pergunta:
- Ei! Vocês vão embora também?
O Menino, agora com ar de severo e com a voz forte de um orador experiente diz:
- Escolheram que o Orgulho saísse de suas vidas e fizeram a melhor escolha.
Pois onde não há Orgulho não há preguiça, pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver não percebendo que na verdade vegetam.
Onde não há orgulho não há Luxúria, pois os luxuriosos têm orgulho de seus corpos e julgam-se merecedores.
Onde não há orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos têm orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro.
Onde não há orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de suas condição e jamais admitem que o são, arrumam desculpas para justificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dos desejos.
Onde não há orgulho, não há Ira, pois os irados têm facilidade com aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade sua ira é resultado de suas próprias imperfeições.
Onde não há orgulho, não há Inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio seja ele qual for, precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança.
Saíram todos sem olhar para trás, e ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu o recinto, e o casal desintegrou-se.
Diz a lenda que eles viraram Anjos!

domingo, 9 de outubro de 2011

A Câmara das Reflexões

Fonte: http://sophia60.org/index.php?option=com_content&task=view&id=81&Itemid=35 

SIGNIFICADO DA CÂMARA

 A Câmara de reflexões, como o seu nome o indica, representa, antes de tudo, aquele estado de isolamento do mundo exterior que é necessário para a concentração ou reflexão íntima, com a qual nasce o pensamento independente e é encontrada a Verdade. Aquele mundo interior para o qual devem dirigir-se nossos esforços e nossas análises para chegar, pela abstração, a conhecer o mundo transcendente da Realidade. É o "gnosthi seautón" ou o "conhece-te a ti mesmo" dos iniciados gregos, como único meio direto e individual para poder chegar a conhecer o Grande Mistério que nos circunda e envolve nosso próprio ser. 

ELEMENTOS E SÍMBOLOS PRESENTES NA CÂMARA

  A Cor Negra
 O negro simboliza as trevas, a ausência da luz. O lugar de perpétuo esquecimento para onde nos conduz as paixões, os vícios e a ignorância. Jung considera a cor negra como o lado sombrio da personalidade.

  Crânio e Esqueleto
 Ambos simbolizam o ciclo iniciático: a brevidade da vida e a morte corporal, prelúdio do renascimento em um nível de vida superior, e condição do reino do espírito. Símbolo da morte física, o crânio corresponde à putrefação alquímica, assim como a tumba corresponde à fornalha (atanor): o homem novo sai do cadinho onde o homem velho se extingue para transformar-se. Crânio e Esqueleto representam não uma morte estática, definitiva, mas, sim, uma morte dinâmica, anunciadora e instrumento de uma nova forma de vida. O crânio, com seu sorriso irônico e seu ar pensativo, simboliza o conhecimento daquele que atravessou a fronteira do desconhecido, daquele que, pela morte, penetrou no segredo do além. O crânio é muitas vezes representado entre duas tíbias cruzadas em x, formando uma cruz de Santo André, símbolo das oposições dentro da natureza sob a influência predominante do espírito. Ambos significam, em uma palavra, Transformação.

  Ampulheta
 Simboliza o escoamento inexorável do tempo que se conclui, no ciclo humano, pela morte. A forma da ampulheta, com os seus dois compartimentos, mostra a analogia entre o alto e o baixo, assim como a necessidade, para que o escoamento se dê para cima, de virar a ampulheta. Assim, a atração se exerce para baixo, a menos que mudemos a nossa maneira de ver e de agir. O vazio e o pleno devem suceder-se; há, portanto, uma passagem do superior ao inferior, isto é, do celeste ao terrestre e, em seguida, através da inversão, do terrestre ao celeste. O filete de areia, que corre de um para outro compartimento, representa as trocas entre o Céu e a Terra: a manifestação das possibilidades celestes e a reintegração da manifestação na Fonte divina. O estrangulamento no meio é a porta estreita por onde se efetuam as trocas. A ampulheta está presente na Câmara como que sugerindo, ao postulante, que não relegue para o amanhã o abandono das paixões, nem a procura da virtude, pois talvez não venha a ter mais tempo, já que o tempo é agora.

  As Iniciais V.I.T.R.I.O.L.
 Iniciais de uma fórmula célebre entre os alquimistas e que condensava a sua doutrina: Visita Iteriorem Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem, ou seja, Visita ou Explora o interior da terra. Retificando, encontrarás a pedra oculta...o que significa dizer: Desce ao mais profundo de ti mesmo, bem além das aparências exteriores, e encontrarás a pedra oculta (ou o núcleo indivisível), sobre o qual poderás construir uma nova personalidade, um homem novo. Trata-se da reconstrução de si próprio a partir dos vários graus de inconsciência, de ignorância e de preconceitos, em direção à incontestável consciência do ser, o que permite ao homem descobrir a presença imanente e transformadora de Deus nele.


O Grão de Trigo 
O quarto de reflexões constitui a prova da terra - a primeira das quatro provas simbólicas dos elementos - e, através de sua analogia, somos conduzidos aos Mistérios de Elêusis, nos quais o iniciado era simbolizado pelo grão de trigo atirado e sepultado no solo, para que germinasse; abrisse, por seu próprio esforço, um caminho para a luz. A semente, na qual se encontra em estado latente ou potencial toda a planta, representa muito bem as possibilidades latentes do indivíduo que devem ser despertadas e manifestadas à luz do dia, no mundo dos efeitos. Todo ser humano, é, efetivamente, um potencial espiritual ou divino, idêntico ao potencial latente da semente, que deve ser desenvolvido ou reduzido à sua mais plena e perfeita expressão, e este desenvolvimento é comparável, em todos os sentidos, ao desenvolvimento natural e progressivo de uma planta. Assim como a semente, para poder germinar e produzir a planta, deve ser abandonada ao solo, onde morre como semente, enquanto o germe da futura planta começa a crescer, assim também, o homem, para manifestar as possibilidades espirituais que nele se encontram em estado latente, deve aprender a concentrar-se no silêncio de sua alma, isolando-se de todas as influências externas, morrendo para seus defeitos e imperfeições a fim de que o germe da Nova Vida possa crescer e manifestar-se. Uma vez que o Germe espiritual, a Divina Semente de nosso ser, é imortal e incorruptível, esta morte - como toda forma de morte, sob um ponto de vista mais profundo - é simplesmente o despojo de uma forma imperfeita e a superação de um estado de imperfeição, que foram no passado um degrau indispensável ao nosso progresso, mas que na atualidade transformaram-se numa limitação e ao mesmo tempo numa necessidade; na oportunidade e na base para um novo passo adiante. Essa imperfeição ou limitação que deve ser superada - os estreitos limites em que se acha enclausurado nosso pensamento e nosso ser espiritual pelos erros e falsas crenças assimiladas na educação e na vida profana - é o que simboliza a casca da semente, produzida por esta como proteção necessária em seu período de crescimento, e inteiramente análoga à casca mental de nosso próprio caráter e personalidade.

  O Pão e a Água 
O pão é, evidentemente, símbolo do alimento essencial. Se é verdade que o homem não vive só de pão, apesar disso, é o nome de pão que se dá à sua alimentação espiritual. Entre os cristãos, o Cristo eucarístico é o pão da vida. Os pães da proposição dos hebreus também têm o mesmo significado. Esse pão representa a presença de Deus no íntimo de cada um de nós. A água representa: fonte de vida; meio de purificação e centro de regeneração. As águas, massa indiferenciada, representando a infinidade dos possíveis, contêm todo o virtual, todo o informal, o germe dos germes, todas as promessas de desenvolvimento. Mergulhar nas águas, para delas sair sem se dissolver totalmente, salvo por uma morte simbólica, é retornar às origens, carregar-se de novo, num imenso reservatório de energia e nele beber uma força nova. A água é símbolo da Mãe Natureza, geradora de Vida material, mas, também, da vida espiritual e do Espírito, oferecidos por Deus e muitas vezes recusados pelos homens.

  O Sal, o Enxofre e o Mercúrio 
O sal é, ao mesmo tempo, conservador de alimentos e destruidor pela corrosão. O alimento sal, condimento essencial e fisiologicamente necessário, é evocado na liturgia batismal; é sal da sabedoria, símbolo do alimento espiritual. O sal era, para os hebreus, um elemento importante de ritual: toda vítima tinha de ser consagrada pelo sal. O consumo do sal em comum toma, às vezes, o valor de uma comunhão, de um laço de fraternidade. Compartilha-se o sal como o pão. Consumir com alguém o pão e o sal significa uma amizade indestrutível. O sal simboliza também a incorruptibilidade. É por isso que a aliança do sal designa uma aliança que Deus não pode romper (Números 18,11; Crônicas, 13,5).O sal pode, também, ter outro sentido simbólico e opor-se à fertilidade. Nesse caso, a terra salgada significa terra árida, endurecida. Os romanos jogavam sal nas terras que destruíam para tornar o solo para sempre estéril. Os místicos às vezes comparam a alma a uma terra salgada que deverá ser fertilizada pelo orvalho da graça. Tudo que é salgado é amargo, a água salgada é, portanto, uma água de amargura que se opõe à água doce fertilizadora. Por fim, o sal é símbolo da palavra empenhada, porque o seu sabor é indestrutível. O enxofre é o princípio ativo da alquimia, aquele que age sobre o mercúrio inerte e o fecunda, ou o mata. O enxofre corresponde ao fogo, como o mercúrio à água. É o princípio gerador masculino (yang). Manifesta a vontade celeste e a atividade do Espírito (ex.: chuva de enxofre sobre Sodoma). Para os alquimistas, o enxofre está para o corpo como o sol está para o universo. Sua cor amarela querendo comparar-se a do ouro, dá-lhe um sentido de engodo, de falsidade, próprio do senhor das trevas. A chama amarela esfumaçada com enxofre é, para a Bíblia, a antiluz atribuída ao orgulho de Lúcifer. É a luz transformada em trevas. É um símbolo de culpa e punição. O mercúrio é o símbolo alquímico universal e do princípio passivo, úmido (yin). Corresponde aos humores corporais, o sangue, o sêmen, aos rins, ao elemento Água. Segundo as tradições ocidentais, o mercúrio é a semente feminina e o enxofre, a masculina: sua união produz os metais. Astrologicamente, Mercúrio vem imediatamente após o Sol, astro da vida, e a Lua, astro da geração, isto é, da manifestação da vida no nosso mundo transitório. Se o Sol é o Pai Celeste, e a Lua, a Mãe Universal, Mercúrio se apresenta como o filho deles, o Mediador, o princípio da Inteligência e da Sabedoria. Mercúrio, o deus da mitologia, diligente e provido de asas nos pés, tinha o ofício de mensageiro do Olimpo. Tendo herdado características tanto de seu Pai, como de sua Mãe, apresenta natureza dualista, na qual se confrontam os princípios contrários e complementares: trevas-luz, baixo-alto, esquerda-direita, feminino-masculino, certo-errado, etc. O pensamento em todos seus aspectos nasce naturalmente no indivíduo, da ação e relação entre as tendências ativas e passivas, entre o amor e o ódio, a atração e a repulsão, a simpatia e a antipatia, o desejo e o temor. Cresce e adquire sempre maior força, independência e vigor quando lutam entre si o instinto e a razão, a vontade e a paixão, o entusiasmo e a desilusão. Eleva-se e floresce, sempre mais livre, claro e luminoso, conforme aprende a seguir seus ideais e aspirações mais elevadas, e quando estas conseguem sobrepor-se à sua ignorância, erros e temores, assim como às demais tendências passionais e instintivas. Mercúrio é o agente harmonizador dos contrários, que procura colocar a ordem no caos. Em cada um de nós, o processo mercuriano é o auxiliar do Ego, encarregado de nos desviar da subjetividade obscurecedora. Diante da dupla pressão dos impulsos interiores, ele é o melhor agente de adaptação à vida.

  O Galo É, universalmente, símbolo solar, porque seu canto anuncia o nascimento do Sol e, por extensão, do surgimento da Luz. Representa a vigilância, pois com seu canto avisa todos a boa nova, ou seja, que um novo dia está surgindo. Assim, todo o maçom, qual galo de vigília, deve estar atento para perceber, na dissipação das trevas da noite que morre (as paixões e os vícios), os primeiros clarões (as virtudes) do espírito que se levanta. O galo é, portanto, a representação esotérica do despertar da consciência e da ressurreição do candidato, que, devendo morrer para a vida “profana”, ressurge num plano mais elevado de espiritualidade.

  O Testamento
 O novo nascimento ou regeneração ideal que indica, em todos seus aspectos, a câmara de reflexões, tem finalmente o seu selo e concretiza-se por um testamento, que é fundamentalmente um atestado ou reconhecimento de seus "deveres", ou seja, de sua tríplice relação construtiva: com o princípio interior (individual e universal) da vida, consigo mesmo como expressão individual da Vida Una, e com seus semelhantes, como expressão exterior da própria Vida Cósmica. Trata-se de um testamento iniciático bem diferente do testamento ordinário ou profano. Enquanto este último é uma preparação para a morte, o testamento simbólico pedido ao recipiendário, antes de sua admissão às provas, é uma preparação para a vida - para a nova vida do Espírito para a qual deve renascer. Morte e nascimento são, na realidade, dois aspectos intimamente entrelaçados e inseparáveis de toda mudança que se verifica na forma e na expressão, interior e exterior, da Vida Eterna do Ser. Na economia cósmica, e da mesma forma na vida individual, a morte, cessação ou destruição de um aspecto determinado da existência subjetiva e objetiva, é constantemente acompanhada de uma forma de nascimento. Assim, pois, só em aparência os consideramos como aspectos opostos da Vida, ou como seu princípio e fim, enquanto indicar simplesmente, uma alteração ou transformação, e o meio no qual se efetua um progresso sempre necessário, ainda que a destruição da forma não seja sempre sua condição indispensável. Como emblema da morte do homem profano, indispensável para o nascimento do iniciado, o testamento que faz o candidato é um testamento do qual ele mesmo será posteriormente chamado a converter-se em executor, é um Programa de Vida que deverá realizar com uma compreensão mais luminosa de suas relações com todas as coisas. A primeira relação ou "dever" do testamento é a do próprio indivíduo com o Princípio Universal da Vida, uma relação que tem de reconhecer-se e estabelecer-se interiormente, e não sobre a base das crenças ou prejuízos, sejam positivos ou negativos. Não se pergunta ao candidato se crê ou não em Deus, nem qual é seu credo religioso ou filosófico; para a Maçonaria todas as "crenças" são equivalentes, como outras tantas máscaras da Verdade que se encontram atrás ou sob a superfície delas e somente à qual aspira a conduzir-nos. O que é de importância vital é nossa íntima e direta relação com o Princípio da Vida, qualquer que seja o nome que lhe dê externamente, e o conceito mental que cada um possa ter formado ou dele venha a formar, uma relação que é estabelecida na consciência, além do plano da inteligência ou mentalidade ordinária. A consciência desta relação, que é Unidade e Individualidade, traduz-se no sentido da primeira pergunta do testamento: "Quais são os vossos deveres para com Deus?" A segunda: "Quais são os vossos deveres para com vós mesmos?" nada mais é do que a conseqüência da primeira. Tendo-se reconhecido, no íntimo de seu próprio ser, naquela solidão da consciência que está simbolizada pela câmara de reflexões como uma manifestação ou expressão individual do Princípio Universal da Vida, o candidato é chamado a reconhecer o modo pelo qual sua vida exterior se encontra intimamente relacionada com o que ele mesmo é interiormente, e como a compreensão desta relação tem em si o poder de dominá-la e dirigi-la construtivamente. O homem é, como manifestação concreta, o que ele mesmo se fez e faz constantemente, com seus pensamentos conscientes e subconscientes, sua maneira de ser e sua atividade. Seu primeiro dever para consigo mesmo é realizar-se e chegar sempre a ser a mais perfeita expressão do Princípio de Vida que nele busca, e encontra uma especial, diferente e necessária manifestação, deduzindo ou fazendo aflorar à luz do dia, as possibilidades latentes do Espírito, aquela Perfeição que existe imanente, mas que só se manifesta no tempo e no espaço, na medida do íntimo reconhecimento individual. Quanto aos deveres para com a humanidade, estes representam um sucessivo reconhecimento íntimo que é complemento necessário dos dois primeiros: tendo-se reconhecido como a manifestação individual do Princípio Único da Vida, e sabendo que ele é por fora o que realiza por dentro, deve acostumar-se a ver em todos os seres outras tantas manifestações do próprio Princípio. Deste reconhecimento, brota como conseqüência necessária o seu dever ou relação para com a humanidade, que não pode ser outra coisa que a própria fraternidade. A compreensão desta tríplice relação é o princípio da iniciação, o início efetivo de uma nova vida, o testamento ou doação que é feita para si próprio, preparando-se para executá-lo. É a preparação necessária para as viagens ou etapas sucessivas do progresso que o aguardam.

 José Carlos Michel Bonato -
M.: I.: Loja Simbólica Sophia Nº 60

 BIBLIOGRAFIA:
Pequeno Ensaio de Simbólica Maçônica, de René Joseph Charlier Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom, de José Castellani Grau de Aprendiz e seus Mistérios, de Jorge Adoum Manual Del Aprendiz, de Aldo Lavagnini (Magister) Diccionario de Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. Pesquisa em diversos sites na Internet.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Do Amor - Khalil Gibran


Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.